Atual líder do Ranking Mundial do Salto em Distância fala sobre a boa temporada
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- 15 de mai. de 2019
- 3 min de leitura
O relato do acidente que tirou os movimentos do braço esquerdo de Michel Gustavo Abrahame, 21, é chocante e evidentemente mudou a vida do garoto que, aos 12 anos, se viu com uma sequela para o resto da vida.
Hoje, Michel Gustavo tem no atletismo seu meio de vida. Atleta profissional, com experiência internacional de ter disputado o Campeonato Mundial de Paratletismo de Londres, em 2017, ele continua trabalhando duro, todos os dias na pista e na academia, para alcançar os centímetros preciosos que o colocam como maior saltados da história do paratletismo brasileiro até hoje.
Tal feito, foi alcançado na última edição do Open Grande Prix Internacional, meeting disputado em São Paulo, entre 25 e 28 de abril deste ano. Na prova do Salto em Distância, Michel foi medalha de Ouro com a marca de 6,99m. Em toda a história, este é o melhor salto de um paratleta brasileiro, entre todas as classes.
M.G. – Acho que o Open deste ano em São Paulo foi uma das competições em que eu estava mais concentrado e mais confiante de que eu poderia fazer um bom resultado. Foi a competição onde entrei mais focado mentalmente, e consciente do que eu tinha que fazer na prova. Eu praticamente não vi meus adversários, não enxerguei nenhuma dificuldade e só foquei no que poderia me trazer um bom resultado.
M.G. – De um tempo para cá tenho trabalhado muito a parte psicológica, que sempre influencia muito nos meus resultados. Antes da prova no Open eu estava lendo para relaxar, e entrei muito concentrado, mentalizando o salto e o resultado que eu ia fazer. Mentalizei do momento de entrada na pista, passando pela pisada na tábua e até o anúncio da marca pela árbitra. Isso aconteceu no primeiro salto, que foi onde consegui os 6,99m. Sem dúvidas, essa concentração total que consegui chegar, ajudou muito.
M.G. – Quatro anos depois do acidente, eu andava de tipóia, pois meu braço ficava solto. Eu não praticava nenhum esporte, porque eu não gostava. Num dia na aula de educação física, eu precisava de nota, e tive de entrar para jogar basquete. Joguei e meu professor ficou impressionado, e me falou de um projeto na cidade em que tinha o paratletismo. Fui lá conhecer e gostei, isso foi no finalzinho de 2013. Em 2014, comecei a competir, mas sem pretensão de ser profissional, e no final daquele ano, com os bons resultados, comecei a treinar sério, e foi onde comecei a evoluir bastante. Tive a oportunidade de estar no Mundial de Londres, muito novo ainda, competindo no Salto Triplo. Foi uma grande experiência, e quero voltar a estar num Mundial.
M.G – Estou em busca de uma vaga nos Jogos Parapan Americano, e tenho mais duas competições para fazer o índice. A marca necessária para garantir a vaga é 7,29m. Eu acredito que eu conseguindo saltar acima de 7,20m eu já teria chances de entrar por alcançar a liderança do Ranking das Américas. Tenho também a meta de conquistar o índice para o Campeonato Mundial de Paratletismo, em Dubai, no fim do ano.
M.G. – Fazemos projeções para o ano seguinte quando estamos no planejamento. A meta de 2019, claro, é saltar acima de 7,20m, para garantir o índice para Lima e no Mundial, e em alcançando uma marca nessa casa, é bem provável que eu consiga medalhar nessas duas competições.
Entrevista concedida á Assessoria de imprensa do Programa Esporte Para Todos
fotos: Ronaldo Casarin e Divulgação/CPB



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