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O que um cartaz de 60 anos nos ensina sobre a comunicação no futebol

  • moaectaubate
  • 18 de mar.
  • 3 min de leitura

Hoje o seu time te convoca por uma notificação no celular, mas em 1962, era preciso "esbarrar" em cartaz colado no poste anunciando o jogo, enquanto se esperava o ônibus.

Onde o jogo começava: nos postes e nos ônibus (1962 X 2024)


Antigamente, divulgar um jogo de futebol era um processo lento e artesanal. A Diretoria precisava encomendar a uma gráfica, esperar a impressão dos cartazes e depois percorrer as ruas colando-os em postes ou fixando-os dentro de ônibus.

Levava dias para a mensagem se espalhar, e o alcance era limitado, apenas a quem passava por aqueles locais específicos.

Hoje, a comunicação é instantânea. Com alguns cliques nas redes sociais, um convite atinge centenas de pessoas em segundos. Não há custo de impressão, não há cheiro de tinta, não há cansaço físico e a interação é imediata. As pessoas confirmam presença e compartilham a notícia na hora. Saímos do esforço manual e local para a conectividade global e em tempo real.

Em 1962, o torcedor precisava "esbarrar" no anúncio no poste ou no ônibus; hoje, o anúncio persegue o torcedor no algoritmo.

Esta relíquia de 1962 que trago guardado, não é apenas um papel; é o registro de uma era onde a notícia tinha peso e levava tempo para chegar ao destino. Para que o torcedor soubesse dia, horário e local do jogo, era preciso (com certa antecedência) encomendar a arte em uma gráfica, esperar a impressão, a secagem da tinta e percorrer a cidade com balde de cola e pincel. O "algoritmo" da época era o trajeto da linha de ônibus ou a calçada mais movimentada.

Hoje, o anuncio de uma partida de futebol do seu time é através de uma tela de celular e, através dele você pode até adquirir o ingresso com antecedência. Ganhamos em velocidade e alcance. O que levava dias agora leva milissegundos, mas perdemos esse rastro físico que sobrevive ao tempo.

Enquanto um post no Instagram desaparece em 24 horas ou menos, este cartaz atravessou seis décadas para nos contar como o futebol era anunciado em nossa cidade.

A "beleza" daquela época e sua imperfeição artesanal

Nem vou entrar muito nesse item, que não deixa de ser importante e maravilhoso, mas notem que, diferente das fontes digitais infinitas de hoje, a gráfica de 1962 trabalhava com o que tinha na gaveta.

Como escrevi acima, a "beleza" daquela época estava justamente na sua imperfeição artesanal.

Notem como os nomes dos times. data, e outras informações do cartaz, usavam tipos de letras e tamanhos diferentes. Isso acontecia porque o tipógrafo precisava montar o "quebra-cabeça" com os tipos (letras físicas) disponíveis. Se acabassem os "As" de uma fonte, ele usava outra parecida ou montava o texto todo em letras de fontes e tamanhos diferentes.

Era comum ver letras levemente "dançantes" tamanhos diferentes ou fora do eixo. Isso prova que o cartaz foi montado manualmente, letra por letra, para se ter a "arte" de impressão. O papel usado para impressão dos cartazes precisava ser barato e absorver bem a cola.



Observem a tipografia desse exemplar: as letras não foram escolhidas em um menu do Photoshop, mas retirada de gavetas onde se guardavam os clichês (clichê refere-se a uma matriz de impressão em relevo) que eram entintadas manualmente. Cada imperfeição na borda das letras conta a história de uma prensa que trabalhava sob pressão para que o torcedor soubesse onde seu time jogaria no domingo.


Antes do primeiro apito do árbitro, o jogo de 1962 começava no cheiro de tinta fresca e no balde de cola das calçadas.


O papel vence o tempo

Em um mundo onde as postagens de hoje serão soterradas pelos algoritmos de amanhã, tive a vontade de dividir com você este cartaz de 1962 que nos lembra da importância da materialidade. Enquanto os anúncios digitais são efêmeros e desaparecem com um deslize do dedo, o papel resistiu ao sol, à chuva e a dez décadas de silêncio para nos contar como o futebol pulsava nas ruas.

Preservar este objeto não é apenas guardar um anúncio de jogo do glorioso E.C. Taubaté, é garantir que a história de nossa comunicação e da nossa paixão não seja deletada pelo tempo.


E você, se lembra de ter visto esses cartazes colados nos postes ou dentro dos ônibus da sua cidade? Deixe seu comentário.













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MOA

TAUBATÉ

por Moacir Santos

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